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Limeira se destaca em ranking nacional de saneamento enquanto Crea-SP alerta para combate às perdas invisíveis de água

Crea-SP cruza dados do Trata Brasil e Infra-BR e alerta para a necessidade de alinhar
tecnologia e precisão no combate ao desperdício de água em SP

O desempenho de nove cidades paulistas entre as 20 melhores do País no Ranking do
Saneamento 2026 demonstra como o planejamento técnico e a continuidade dos
investimentos em infraestrutura são fundamentais para resultados de longo prazo. O
protagonismo de São Paulo no estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil reforça a eficácia
das políticas públicas e da gestão técnica aplicadas no Estado.

Para além da cobertura de atendimento, os dados do Infra-BR (Índice Confea de Infraestrutura do Brasil) revelam que a
eficiência do setor depende da qualidade da rede e da qualificação profissional. Em São
Paulo, o monitoramento aponta uma nota geral de 68,49, reflexo direto da competência
técnica empregada nas últimas décadas.

Apesar dos bons indicadores, o diagnóstico analítico também traz à tona desafios qualitativos
que exigem atenção. O cruzamento desses dados mostra que a universalização do saneamento
não se resume à extensão de tubulações; a sustentabilidade das operações e a garantia de que
a infraestrutura instalada se traduza, de fato, em segurança hídrica efetiva para a população
são pontos cruciais.

Esse cenário de expansão ganha novo impulso com o UniversalizaSP, programa do Governo
do Estado que, de acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística
(Semil), movimentará cerca de R$100 bilhões até 2060. Para o Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), o programa é o motor que
permitirá elevar as notas de eficiência onde ainda há disparidades. O Conselho atua como
garantidor técnico desse processo, assegurando que as obras de ampliação ocorram sob a
supervisão de profissionais habilitados e com registro ativo na autarquia.

Desempenho de São Paulo no ranking 2026

Os indicadores do Instituto Trata Brasil, que analisaram dado de saneamento básico nas 100
cidades mais populosas do País, reforçam o protagonismo paulista: quatro municípios
atingiram a pontuação máxima no ranking nacional: Franca, São José do Rio Preto, Campinas
e Santos. Franca lidera com 99,46% em cobertura de saneamento básico (percentual da
população que possui acesso direto e regular à água potável) e 98,91% de coleta e tratamento
de esgoto. Completam o ranking paulista Limeira, Taubaté, São José dos Campos, São Paulo
e Jundiaí.

Para a engenheira sanitarista e ambiental Marcellie Giralota, diretora de Valorização
Profissional do Crea-SP, os números refletem décadas de planejamento. “Isso é resultado de
décadas de Engenharia aplicada com continuidade de investimento. Enquanto a média nacional de tratamento de esgoto é de apenas 51,8%, cidades como São José dos Campos
chegam a 88,80%”, completa.

Inovação contra as “perdas invisíveis” e segurança hídrica

Embora o Estado lidere em cobertura, o Infra-BR revela a necessidade de focar na qualidade
da rede para combater perdas hídricas. No pilar de saneamento básico, o índice monitora a
qualidade da água (nota 74,95) e a distribuição (nota 71,19). O diagnóstico revela, contudo, o
desafio de equilibrar a taxa de distribuição entre áreas rurais (nota 66,01) e urbanas (nota
39,60), além de superar a disparidade no tratamento do esgoto coletado, que atinge apenas a
nota 19,17 sob a ótica de eficiência do estudo.
“As perdas em redes antigas representam um dos maiores desperdícios invisíveis do sistema.
Em tubulações de ferro fundido ou PVC envelhecido, um vazamento pode persistir por meses
sem jamais aflorar à superfície”, explica Marcellie. Segundo a engenheira, o uso de
tecnologias como correlacionadores de ruídos e geofones eletrônicos permite localizar falhas
com precisão de 1 cm, reduzindo índices de perdas de 40% para patamares abaixo de 25%.
A engenheira ressalta, ainda, que a eficiência na rede é indissociável da segurança hídrica,
especialmente após as recentes ondas de calor e chuvas irregulares. “A crise climática impõe
desafios simultâneos: a escassez em secas prolongadas e a sobrecarga das redes em chuvas
intensas. O planejamento técnico precisa incorporar a diversificação de fontes, o reúso de
efluentes e o controle dinâmico de pressão. A vulnerabilidade hídrica não é mais um risco de
médio prazo, é uma realidade operacional imediata”, reforça.

Demanda profissional e o papel da ART

Com o aporte bilionário anunciado pelo UniversalizaSP, o mercado de trabalho deve registrar
um aumento significativo na procura por engenheiros especializados para projetar, executar e
operar esses sistemas. A garantia de que esses investimentos se traduzam em obras eficientes
passa pela fiscalização rigorosa do exercício profissional, assegurando que as atividades
sejam conduzidas apenas por profissionais habilitados e com a devida Anotação de
Responsabilidade Técnica (ART). Instituída pela Lei nº 6.496/1977, a ART é o instrumento
que define, para efeitos legais, os responsáveis técnicos pela execução de obras ou prestação
de serviços de engenharia e agronomia.

“A ART não é burocracia; é responsabilidade técnica com nome e sobrenome. Em obras de
saneamento de grande porte, ela representa a última linha de defesa entre uma estação que
funciona e uma que existe apenas no papel. Sem a devida ART em projetos de Estações de
Tratamento de Esgoto (ETE) ou redes de distribuição, não há como responsabilizar o
profissional em caso de falhas que comprometam a potabilidade da água ou a capacidade real
de tratamento. O papel do Crea-SP é estratégico e preventivo: ao exigirmos a ART,
protegemos o investimento público e garantimos a qualidade técnica indispensável para a
saúde da população”, conclui a diretora.

Sobre o Crea-SP – Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização,
controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das
Engenharias, Agronomia, Geociências, Tecnologia e Design de Interiores. O Crea-SP está
presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados
e mais de 110 mil empresas registradas.


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